
Hoje eu tive o sonho mais estranho(ou, pelo menos, que mais me assustou) da minha vida insignificante.
Eu tenho que contar ele pra alguém... vai ser aqui mesmo, então.
O sonho começa em uma casa comum. Um garoto vê uma foto estranha e pergunta pro pai dele "Quem é esse na foto atrás da pessoa?"(a foto é tipo aquelas onde tem uma pessoa e um "fantasma" aparecendo, só que o fantasma era bem nítido e identico ao cara da foto). O pai diz que as duas pessoas que estão na foto são uma só... porém, a que aparece mais atrás e com uma coloração estranha é uma visão diferente da primeira pessoa... uma outra
perspectiva. Mas não deixam de ser a mesma pessoa.
Após isso, o sonho se passa em um espécie de universidade. Eu não lembro o que ocorre ao certo mas, do nada, acontece um tipo de "
desafio sem sentido". As pessoas passam a procurar coisas "sagradas" que aparecem de repente no céu e depois somem. Nessa hora é cada um por si. As pessoas vão vagando pelo local, procurando os "artefatos sagrados". Tem também algumas pessoas que estão na rotina normal de aula e não entendem aqueles que procuram algo.
Então, um cara(Não sei se sou eu) acha uma das "
coisas sagradas". É de vidro e está quebrada... aos cacos. Ele coloca em uma espécie de balde e fica onde está. Ele fica olhando para todos os lados, com medo de ser achado por alguém. Essa parte me lembra muito aqueles filmes de zumbi.
Uma das partes "legais" do sonho é agora. Ele olha com todo o cuidado para qualquer canto de onde ele está. É como se fosse inevitável...iam achar ele e todos vão querer pegar ele. Eu podia sentir a agonia dele. Estava demorando e o cara não sabia se ficava ali mesmo ou arriscava sair de lá. Não consigo nem explicar o que ele estava sentido, não sou nem bom nisso... mas era como um garotinho no guarda-roupa, se escondendo do pai que bate nele até sangrar. Então ele decide sair. Corre como um desesperado para longe do local.
E quando ele já está no "pique" da corrida pelo meio da rua, ele vê atrás dele, várias pessoas correndo e querendo o que ele tem. Ele corre e não vê nenhum ônibus na rua...tá quase deserta. Do nada aparece um ônibus. Ele se joga dentro do ônibus e consegue despistar a tropa de loucos ou seja lá o que era aquela vuca de desesperados.
Lembrando que, até aqui, é um sonho normal. Sonho com essas coisas todos os dias.
Agora começa a parte que nunca aconteceu nos meus sonhos.
O cara vai se esconder em uma rua, na casa de um amigo dele, eu acho. Já era de noite.
A rua era do tipo cheia de malako. Malakos do tipo "Olha torto pra mim e eu te mato...no sentido literal da coisa". Mas não eram daqueles que você vê no "Barra Pesada" ou em qualquer jornal regional, davam medo só de pensar em olhar pra eles. Eu não sei de onde eu tirei esses malakos, daqui do bairro é que não são.
Quando o cara do "artefato sagrado" entra na casa do amigo, o
chefe da bandidagem da rua está lá dentro... descansando. O que ocorre aqui é bem simples, o chefe pensa que o cara que entrou vai dizer onde ele se esconde. Sendo assim, o chefe vai matar ele. E vai acontecendo de uma maneira até natural. O chefe dos malakos da rua vai andando em direção ao cara, apontando a arma nele e falando "
Vou te matar" com a tranquilidade de um irmão mais velho falando pro mais novo "vou te dar uns petelecos na orelha".
O cara ainda consegue enrolar ele da maneira mais malandra que eu já vi. Mas era inevitável, ele ia atirar. Ia matar o cara. Então, o amigo se joga pra tentar tomar a arma do chefe da rua. No meio da luta pela arma, o amigo dispara a arma e mata o chefe. Eu não sei como, mas nenhum bandido da rua escuta o tiro.
Agora os dois tinham uma missão: Sair daquela rua com vida.
No caminho para o ponto de ônibus estava quase toda a gang do indivíduo que acabou de ser morto. Eu lembro que eles andavam na direção da gang, com medo de serem parados por eles, serem descobertos e todo o resto. Esse medo na verdade era quase uma certeza de que eles iriam morrer naquele momento mesmo, era algo inevitável, novamente.
Quando eles estavam passando perto da gang, um dos caras da gang chamou o cara do artefato sagrado. O membro da gang foi se aproximando. Nessa hora eles deviam estar pensando "Fodeu. Ouviram o tiro e agora vão descobrir tudo e matar a gente". Mas não era isso. O membro da gang chegou com o cara do artefato e começou a falar coisas do tipo "o que você está fazendo aqui?", "aqui não é lugar para um fedelho de família como você", "aqui é o pior lugar do mundo, sai daqui e volta para sua casinha de gente de bem", "você não faz idéia do que a gente é capaz de fazer", "você não é NADA aqui". Depois disso, deixou eles passarem.
É... eles estavam salvos...
Entrando no ônibus(Só havia eles dois e o motorista) começam os tiros. A gang começa a atirar no ônibus, eles haviam agora já estavam sabendo que o chefe da gang morreu. Na hora o ônibus dispara na pista e deixa a gang para trás.
É... eles estavam salvos...
No ônibus fica tudo mais tranquilo. A parada do "artefato sagrado" fica até de lado nessa hora. O que eles queriam mesmo é ficar longe dali.
Ocorre então uma coisa que nem faz sentido nessa história(Como se a parada do "procure a coisa sagrada" já não fosse o bastante). O ônibus começa a andar mais rápido. Ele começa a subir e cair pelas ruas como se fosse um carro de Montanha Russa. Nas ruas também está cheio de túneis. Juntando tudo isso, era como se a parte de trás do ônibus(onde estavam os dois) fosse bater toda hora que passava pelo túnel. Os dois não aguentaram e pediram para parar o ônibus.
É... eles estavam salvos...
Eles pararam em uma espécie de posto de gasolina abandonado. Instantes depois de sairem do ônibus, a gang aparece louca para querer matar eles. Os dois correm para uma
ponte que cruza um riacho lá perto. Ainda era de noite, só podia se ver asfalto, o céu da noite e uma mata escura além do asfalto. Se eles continuassem correndo pela rua, seriam mortos na certa. Um deles então olho para o lado de fora da ponte... não era tão alta, mas dava pra matar um com facilidade, já dava um certo medo. Ele não pensou duas vezes... pulou. E pulou com toda a certeza de que estava fazendo aquilo pela vida. Se ficasse parado, morreria... se pulasse, estaria vivo. 100% de certeza. E foi assim... ele pulou... caiu no riacho... e sobreviveu à queda. O amigo dele ficou e não apareceu mais no sonho.
Mesmo assim, alguns membros da gang ainda conseguiram alcançar o cara que pulou e cerca-lo. Na disputa corpo-a-corpo, ele consegue tirar um facão(Era quase uma espada) de um deles. A situação da beira da ponte se repetia. Se ele ficasse parado, morreria... Se atacasse, estaria vivo. 100% de certeza. Só que ele teria que matar todos aqueles caras. E, naquele momento, eu não conseguia ver o ato de alguém matar alguém no contexto banal de filmes, músicas, livros e, até mesmo, quando você vê pessoalmente. Era como se eu estivesse participando. Matar... morrer. Os dois extremos. Ele escolheu matar. Ele atacou. Começou a cortar os membros da gang, cada um deles, eram golpes vazios, desesperados, ele estava com medo. Era como se ele não quisesse matar eles...e realmente não queria. Ele parou, já estava feito.
Ele está vivo...
...só que os membros da gang ainda estavam vivos também. Estavam todos inteiramente cortados, banhados em sangue... retalhados...e andando em direção ao cara. Eu não entendia mais nada. Então eles falaram algo que foi bastante parecido com o que falaram para os dois na rua da gang. Os dois não eram nada, não poderiam fazer nada contra os mais perversos seres da cidade. Tinham que voltar para suas cazinhas de gente de bem. Não podem ferir aqueles que moram no pior lugar do mundo, fazem aquilo que todos negam até pensar. "Você nem quer matar a gente".
O garoto entendeu. Não era mais como pular da ponte.
Ele avançou de novo na direção da gang... Agora ele sabia o que tinha que fazer. Ele matou. Cada um deles, da maneira mais perversa que poderia passar na cabeça dele. Golpes fulminantes, não eram mais os golpes sem certeza e com medo da vez passada. No rosto dele eu só conseguia ver um olhar de "
Sim, eu estou vivo"... que ironicamente era identico ao olhar de "
Eu vou te matar, filho da puta" do lider da gang na casa. Eu não sabia se ele estava sorrindo por estar vivo ou porque estava gostando daquilo.
Depois de um tempo, ele parou. Todos mortos,
ele vivo. 100% de certeza.
Logo após isso, a conteceu algo "interessante". A parte do começo do sonho, aquela do garotinho perguntando sobre a foto, se repetiu. E pior é que na segunda vez que eu vi, depois da "história" toda, ela fez mais sentido.
Depois disso, não me lembro de mais nada do sonho.
Bem... esse foi o meu sonho. :Dv