quinta-feira, 9 de julho de 2009

Estamos em 1998...



1998

É tenso você estudar de manhã e todos os seus amigos da rua estudarem de tarde. Sempre foi assim. O legal é que eu moro no Brasil... Pará, Belém... Bairro do Guamá... Mais precisamente na rua Silva Castro. Nenhum garoto que estuda de tarde aqui fica mais de duas aulas na escola.

Como aqui é Belém, uma tarde sem chuva é nada mais do que um dia estranho. É normal chover, já estamos preparados. Por mais que estejamos sem sombrinha e capa de chuva, estamos preparados.

E ela sempre vem...

Então começa. São sempre dois garotos...
Pegam uma bola velha(Na verdade, ela nunca tem mais de 2 semanas de comprada, mas já está "velha") e começam a tocar um pro outro a bola. Todo e qualquer garoto que esteja na sua casa vendo a Sessão da Tarde e lanchando pão com ki-suki consegue escutar as batidas de bola de dois garotos no meio da chuva. Eles nem lembram que a bola será provavelmente cortada até o final da tarde.

Os garotos vão saindo de suas casas, correndo, sorrindo ou fazendo cara de mau. Já chegam falando coisas do tipo "Opa! Toca pra mim", "Chegou o bom", "Pode cruzar, jogador!", "A próxima grade é a minha, heim"... ninguém chegava e falava "Posso jogar?", todos sabiam que podiam jogar.

As Regras são simples:
-Duas traves(matos ou tijolos). Um par em cada canto do "campo" pré-determinado.
-Dois jogadores em cada time(Se tiver muita gente esperando, fica uns três)
-Leva dois gols, perde. Entra o próximo time.
-O jogo só para quando passa ônibus ou caminhão na rua. Carros, motos, pedestres e bicicletas podem ser facilmente driblados.
-Sem limite de tempo(Mas se der umas 6 horas, vai todo mundo correndo ver o Cruj)
-Não tem juiz. O que conta é a sinceridade... e a malandragem.

E o jogo começa.
Sempre tem os jogadores "Prós". Garotos que sempre dão SHOW DE BOLA, JOW. Geralmente, eles fazem dupla com um garoto que não jogue muito. Assim, eles tem liberdade pra fazer graça com a bola...driblar, fazer gol...

Tem também aqueles que fazem de conta que são bons. Eles sempre tem um drible muito manjado que, quando funciona com alguém inexperiente, fazem o maior barulho. Também são ótimos nas desculpas, "Só tá jogando eu aqui, meu amigo nem ajuda", "Pô, ninguém avisou que já tava valendo", "Tô cansadão, com o joelho fodido e com depressão, se não fosse isso, tu ia ver", "ALÔ, FOI FALTA AQUI!".

E, é claro, aqueles que não jogam porra nenhuma. Só estão lá pela zoeira ou porque pensam que ainda vão melhorar alguma coisa.

O jogo vai seguindo pela tarde, muitas reclamações, canelas sangrando e zoação em quem leva um chapéu maroto. A chuva acaba, os mais amadores vão saindo e o ritmo do jogo acelera. Tem que rolar uma aposta, agora. Era sempre uma garrafa de Baré. O Baré foi a melhor invenção para os pivetinhos de rua, era grande e barato... com poucas moedas você comprava um Baré.
O Baré era um combustivel para o jogo, todo mundo jogava mais pra poder tomar Baré. Todo mundo também fazia mais falta, mentia mais e brigava mais.

Só que sempre tem que ter um empolgado. Aqui, temos o campeão que chuta a bola pro quintal do vizinho mais rabugento da rua. Pronto, fim do jogo. "Que nada, quem chutou vai pegar a bola!". É a lei... Chutou, vai pegar. E lá vai o garotinho, morrendo de medo pro quintal do vizinho. Segundos depois o garoto volta correndo de lá. Então a gente vê ela no céu... a bola... toda cortada... caindo. O velho fez com ela em segundos algo que duraria meses nos nossos pés.

E não acabou...
Ele vai pra rua, com seu facão que mais parece a espada do Conan, o destruidor.
O velhote vem na rua para dar aquele velho sermão que ele mesmo escutou do seu respectivo velho rabugento de rua da sua época. Fala pra todo mundo da rua ouvir.
A melhor parte é quando ele fala "Quando a gente dá uns cascudos nesses moleques, vem pai e mãe querendo ter razão". Adorava esse porque era o mais clássico, o mais usado e o mais falho também.

É, o jogo acabou mesmo.
Nessa hora vai todo mundo para casa tomar o seu banho e esperar os melhores desenhos do Cruj começar ou jogar Mortal Ultimate com seu irmão mais novo, que sempre leva o Brutality do Noob Saibot e pede logo pra colocar o Super Star Soccer pra fazer o juiz virar cachorro... único macete que sabe fazer.

Mas, todos já sabem... depois do Cruj, todo mundo reunido na rua pra jogar Garrafão e Chicote queimado, heim

sábado, 4 de julho de 2009

Sonho.




Hoje eu tive o sonho mais estranho(ou, pelo menos, que mais me assustou) da minha vida insignificante.

Eu tenho que contar ele pra alguém... vai ser aqui mesmo, então.

O sonho começa em uma casa comum. Um garoto vê uma foto estranha e pergunta pro pai dele "Quem é esse na foto atrás da pessoa?"(a foto é tipo aquelas onde tem uma pessoa e um "fantasma" aparecendo, só que o fantasma era bem nítido e identico ao cara da foto). O pai diz que as duas pessoas que estão na foto são uma só... porém, a que aparece mais atrás e com uma coloração estranha é uma visão diferente da primeira pessoa... uma outra perspectiva. Mas não deixam de ser a mesma pessoa.

Após isso, o sonho se passa em um espécie de universidade. Eu não lembro o que ocorre ao certo mas, do nada, acontece um tipo de "desafio sem sentido". As pessoas passam a procurar coisas "sagradas" que aparecem de repente no céu e depois somem. Nessa hora é cada um por si. As pessoas vão vagando pelo local, procurando os "artefatos sagrados". Tem também algumas pessoas que estão na rotina normal de aula e não entendem aqueles que procuram algo.

Então, um cara(Não sei se sou eu) acha uma das "coisas sagradas". É de vidro e está quebrada... aos cacos. Ele coloca em uma espécie de balde e fica onde está. Ele fica olhando para todos os lados, com medo de ser achado por alguém. Essa parte me lembra muito aqueles filmes de zumbi.

Uma das partes "legais" do sonho é agora. Ele olha com todo o cuidado para qualquer canto de onde ele está. É como se fosse inevitável...iam achar ele e todos vão querer pegar ele. Eu podia sentir a agonia dele. Estava demorando e o cara não sabia se ficava ali mesmo ou arriscava sair de lá. Não consigo nem explicar o que ele estava sentido, não sou nem bom nisso... mas era como um garotinho no guarda-roupa, se escondendo do pai que bate nele até sangrar. Então ele decide sair. Corre como um desesperado para longe do local.

E quando ele já está no "pique" da corrida pelo meio da rua, ele vê atrás dele, várias pessoas correndo e querendo o que ele tem. Ele corre e não vê nenhum ônibus na rua...tá quase deserta. Do nada aparece um ônibus. Ele se joga dentro do ônibus e consegue despistar a tropa de loucos ou seja lá o que era aquela vuca de desesperados.

Lembrando que, até aqui, é um sonho normal. Sonho com essas coisas todos os dias.
Agora começa a parte que nunca aconteceu nos meus sonhos.

O cara vai se esconder em uma rua, na casa de um amigo dele, eu acho. Já era de noite.
A rua era do tipo cheia de malako. Malakos do tipo "Olha torto pra mim e eu te mato...no sentido literal da coisa". Mas não eram daqueles que você vê no "Barra Pesada" ou em qualquer jornal regional, davam medo só de pensar em olhar pra eles. Eu não sei de onde eu tirei esses malakos, daqui do bairro é que não são.

Quando o cara do "artefato sagrado" entra na casa do amigo, o chefe da bandidagem da rua está lá dentro... descansando. O que ocorre aqui é bem simples, o chefe pensa que o cara que entrou vai dizer onde ele se esconde. Sendo assim, o chefe vai matar ele. E vai acontecendo de uma maneira até natural. O chefe dos malakos da rua vai andando em direção ao cara, apontando a arma nele e falando "Vou te matar" com a tranquilidade de um irmão mais velho falando pro mais novo "vou te dar uns petelecos na orelha".

O cara ainda consegue enrolar ele da maneira mais malandra que eu já vi. Mas era inevitável, ele ia atirar. Ia matar o cara. Então, o amigo se joga pra tentar tomar a arma do chefe da rua. No meio da luta pela arma, o amigo dispara a arma e mata o chefe. Eu não sei como, mas nenhum bandido da rua escuta o tiro.

Agora os dois tinham uma missão: Sair daquela rua com vida.

No caminho para o ponto de ônibus estava quase toda a gang do indivíduo que acabou de ser morto. Eu lembro que eles andavam na direção da gang, com medo de serem parados por eles, serem descobertos e todo o resto. Esse medo na verdade era quase uma certeza de que eles iriam morrer naquele momento mesmo, era algo inevitável, novamente.

Quando eles estavam passando perto da gang, um dos caras da gang chamou o cara do artefato sagrado. O membro da gang foi se aproximando. Nessa hora eles deviam estar pensando "Fodeu. Ouviram o tiro e agora vão descobrir tudo e matar a gente". Mas não era isso. O membro da gang chegou com o cara do artefato e começou a falar coisas do tipo "o que você está fazendo aqui?", "aqui não é lugar para um fedelho de família como você", "aqui é o pior lugar do mundo, sai daqui e volta para sua casinha de gente de bem", "você não faz idéia do que a gente é capaz de fazer", "você não é NADA aqui". Depois disso, deixou eles passarem.

É... eles estavam salvos...
Entrando no ônibus(Só havia eles dois e o motorista) começam os tiros. A gang começa a atirar no ônibus, eles haviam agora já estavam sabendo que o chefe da gang morreu. Na hora o ônibus dispara na pista e deixa a gang para trás.

É... eles estavam salvos...
No ônibus fica tudo mais tranquilo. A parada do "artefato sagrado" fica até de lado nessa hora. O que eles queriam mesmo é ficar longe dali.
Ocorre então uma coisa que nem faz sentido nessa história(Como se a parada do "procure a coisa sagrada" já não fosse o bastante). O ônibus começa a andar mais rápido. Ele começa a subir e cair pelas ruas como se fosse um carro de Montanha Russa. Nas ruas também está cheio de túneis. Juntando tudo isso, era como se a parte de trás do ônibus(onde estavam os dois) fosse bater toda hora que passava pelo túnel. Os dois não aguentaram e pediram para parar o ônibus.

É... eles estavam salvos...
Eles pararam em uma espécie de posto de gasolina abandonado. Instantes depois de sairem do ônibus, a gang aparece louca para querer matar eles. Os dois correm para uma ponte que cruza um riacho lá perto. Ainda era de noite, só podia se ver asfalto, o céu da noite e uma mata escura além do asfalto. Se eles continuassem correndo pela rua, seriam mortos na certa. Um deles então olho para o lado de fora da ponte... não era tão alta, mas dava pra matar um com facilidade, já dava um certo medo. Ele não pensou duas vezes... pulou. E pulou com toda a certeza de que estava fazendo aquilo pela vida. Se ficasse parado, morreria... se pulasse, estaria vivo. 100% de certeza. E foi assim... ele pulou... caiu no riacho... e sobreviveu à queda. O amigo dele ficou e não apareceu mais no sonho.

Mesmo assim, alguns membros da gang ainda conseguiram alcançar o cara que pulou e cerca-lo. Na disputa corpo-a-corpo, ele consegue tirar um facão(Era quase uma espada) de um deles. A situação da beira da ponte se repetia. Se ele ficasse parado, morreria... Se atacasse, estaria vivo. 100% de certeza. Só que ele teria que matar todos aqueles caras. E, naquele momento, eu não conseguia ver o ato de alguém matar alguém no contexto banal de filmes, músicas, livros e, até mesmo, quando você vê pessoalmente. Era como se eu estivesse participando. Matar... morrer. Os dois extremos. Ele escolheu matar. Ele atacou. Começou a cortar os membros da gang, cada um deles, eram golpes vazios, desesperados, ele estava com medo. Era como se ele não quisesse matar eles...e realmente não queria. Ele parou, já estava feito. Ele está vivo...

...só que os membros da gang ainda estavam vivos também. Estavam todos inteiramente cortados, banhados em sangue... retalhados...e andando em direção ao cara. Eu não entendia mais nada. Então eles falaram algo que foi bastante parecido com o que falaram para os dois na rua da gang. Os dois não eram nada, não poderiam fazer nada contra os mais perversos seres da cidade. Tinham que voltar para suas cazinhas de gente de bem. Não podem ferir aqueles que moram no pior lugar do mundo, fazem aquilo que todos negam até pensar. "Você nem quer matar a gente".

O garoto entendeu. Não era mais como pular da ponte.
Ele avançou de novo na direção da gang... Agora ele sabia o que tinha que fazer. Ele matou. Cada um deles, da maneira mais perversa que poderia passar na cabeça dele. Golpes fulminantes, não eram mais os golpes sem certeza e com medo da vez passada. No rosto dele eu só conseguia ver um olhar de "Sim, eu estou vivo"... que ironicamente era identico ao olhar de "Eu vou te matar, filho da puta" do lider da gang na casa. Eu não sabia se ele estava sorrindo por estar vivo ou porque estava gostando daquilo.

Depois de um tempo, ele parou. Todos mortos, ele vivo. 100% de certeza.

Logo após isso, a conteceu algo "interessante". A parte do começo do sonho, aquela do garotinho perguntando sobre a foto, se repetiu. E pior é que na segunda vez que eu vi, depois da "história" toda, ela fez mais sentido.
Depois disso, não me lembro de mais nada do sonho.

Bem... esse foi o meu sonho. :Dv

domingo, 31 de maio de 2009

Speed is Relative




Carro.
Sonho de consumo de várias famílias, solteirões, adolescentes...
Mas... será que TODOS NÓS precisamos mesmo de um carro?

Certo, vendo a rotina de trânsito de algumas cidades, ônibus lotados e o espírito de liberdade que o carro aparentemente dá, parece realmente necessário. Ainda bem que esse espírito de liberdade ainda não me achou para me "tentar".

É aquela coisa, quando você tem um dinheiro sobrando e uma vida equilibrada, já bate aquele apelo para que você dê entrada em um carro. Carro é liberdade, carro é conforto...carro é status. Ônibus? Coisa de pobre.

Beleza então, vou ter um carro. Nisso, você acaba entrando na primeira armadilha... o consórcio.
Você assina um documento dizendo que você vai pagar infinitas parcelas que, somando no final, vai dar o valor do carro mais uns 10 mil contos de juros, impostos, juros, gastos, juros...facada que não acaba mais.
Acho que eu nunca vou ter um carro por causa disso, esse "assine aqui, seu otário" que sempre rola em consórcios. Eu já vou ter isso em algum emprego, não vou precisar de consórcio pra isso.

Tudo bem, fora o consórcio, tem o CARRO. A liberdade em quatro rodas! Adeus, ônibus.
Só que você não é o único que tem carro, né?

Bem, ai vem o trânsito. Filas inertes de carros, buzinas, stress... o caos.
Na verdade, eu acho esse caos bonito de se ver...mas isso é outra história.

Acontece que o a sensação de liberdade que é passada pra você é, na maior parte, uma farsa.
Você tem que comprar um carro porque tem empresas fortes com suas propagandas de "carro = liberdade".

Em vez de ficar pensando em como seria eu com um carro, eu fico pensando como seria bom ter um ótimo sistema de transporte na minha cidade. Ônibus confortaveis, ruas fluindo naturalmente... não penso em algo fantasioso, penso em algo básico para a vida de qualquer um de uma cidade.
É algo lógico, o caos no trânsito de sua cidade vai diminuir no momento em que tiver um sistema de transporte bem elaborada e confortável(que vai ser mais atrativo). Se você quiser comprar um carro pra fugir disso, só vai piorar tudo ainda mais.

Fico pensando isso porque eu realmente necessito mais de um ônibus do que de um carro. Pelo menos até agora. Ainda não bateu aquela pressão "se você tem carro, você é mais descolado que alguém que anda de ônibus".

Ainda temos as pessoas que realmente precisam de carros, sua rotina pede isso. Mas entre um carro que tem uma mãe levando 2 filhos para a escola e compras de supermercado e um carro com alguém que só vai andar algumas quadras, não existe preferência na hora do trânsito.

Bem, nada contra alguém comprar um carro. Se você quer um carro, que compre. Mas faça bom uso dele, faça ele valer a pena na sua vida...faça ele ter uma FUNÇÃO. Comprando um carro, você não só assume o compromisso com uma máquina, você assume um compromisso com a sua cidade.